Portfolio

Estadão - NOV/2017

Sucesso de startup criada por jovem para desenvolver serviços e produtos a partir de resíduos da indústria da novo rumo a sua carreira

Gabriel Estevam Domingos tem 29 anos e já se tornou um nome conhecido e respeitado no segmento de sustentabilidade. Quando ainda era bolsista do primeiro ano do curso de engenharia ambiental da Unimes, na Baixada Santista, em 2011, criou a GED Inovação, Engenharia e Tecnologia. Logo, oito colegas de faculdade já eram seus funcionários nos serviços de consultoria e criação de soluções para resolver passivos ambientais.

“Eu sou um empreendedor, porque fundei a empresa sozinho, fiquei cinco anos no mercado sem investidor, sem nada, prestava consultoria para grandes empresas”, conta.

Esse espírito empreendedor é uma das características de Gabriel. “Desde criança, gostava dessa coisa de inovação, sustentabilidade. Gostava de produzir coisas que eu fosse consumir. Por exemplo, sabonete, pasta de dente, xampu. Eu via a informação e tentava fazer com os recursos disponíveis, como flores, casca de eucalipto. Eu conseguia fazer e usava. Era muito amador. Fazia sistema de captação de água da chuva, toda a parte de drenagem de esgoto.”

Na faculdade, começou a “profissionalizar” suas pesquisas. As aulas começavam às 7h15 e, depois que terminavam, ia para os laboratórios por sua conta – não por uma exigência curricular. Participou do “Battle of Concepts”, em que empresas como Whirpool, Natural, Grupo Ultra, entre outros, expunham seus problemas ambientais reais e os concorrentes – professores, pesquisadores, estudantes – tinham de apresentar soluções. Eram situações que envolviam questões ambientais. “Fui nessa linha. Fui participando, ganhei um, ganhei outro e fui indo.”

Ele lembra que as propostas tinham de apresentar todos os requisitos de viabilidade técnica e econômica. Dez trabalhos eram escolhidos. “Davam premiação em dinheiro. O único problema é que fazia a transferência de propriedade intelectual. Mas foi assim que me inseri nesse mundo da inovação.”

Gabriel foi responsável por vários projetos, um deles lhe deu a primeira patente internacional. “Criei um projeto que teve uma popularidade bem expressiva, a ecotinta. Ganhei até um prêmio da ONU. É uma tinta ecológica feita com um dos maiores passivos ambientais das indústrias de fertilizantes, o fosfogesso, um resíduo.” De acordo com ele, para cada tonelada de fertilizante produzido há de 4 a 6 toneladas de resíduo. E tudo isso tem um custo alto para a indústria.

Posteriormente, criou uma ração ecológica, utilizando um dos maiores passivos da indústria pesqueira da Baixada Santista: a casca de camarão. Embora, a indústria de rações para pet já utilizasse restos de peixe no produto, ele foi pioneiro no uso do camarão. “Descobri que a farinha com a casca do camarão é rica em micronutrientes como cálcio e ferro, por exemplo, que são essenciais para a saúde dos animais.

São esses micronutrientes que encarecem as rações comuns, porque são feitos de forma inorgânica.”
Em relação à eventual alergia a camarão, diz que fez testes de palatabilidade e que seguiu os parâmetros da Anvisa e Inmetro. “Mas é claro que tudo tem de ter uma dosagem. Em excesso, são prejudiciais.”

Os serviços e produtos de Gabriel chamaram a atenção do mercado, e o grupo Ambipar acabou comprando 51% da empresa, que foi rebatizada de GEDI Desenvolvimento e Inovação. E o fundador também se tornou diretor técnico do grupo. “A GED era uma startup, uma empresa pequenininha.

osso diferencial eram nossos ativos de propriedade intelectual, nossas patentes, nossos cases.”
Para ele, o motivo de seu sucesso foi mudar o paradigma do pesquisador que fica no mundo acadêmico. “Saí dessa área e fui empreender minhas ideias e não ficar naquele meio científico, que praticamente as universidades doutrinam. E conseguir colocar meus projetos em prática.”

Os projetos ganharam novo impulso com a união com a Ambipar. “Estou com os três maiores players da indústria de cosméticos (como clientes), para valorização de seus resíduos. Eles vão desde embalagens contaminadas até tudo o que sobra de restos de cremes, de cosméticos, etc. Hoje, estamos fazendo com esse material amaciantes de roupa, limpador multiuso e iniciamos teste para fazer lustra móveis.”

Outro produto é o aplicativo chamado Carbon Z, que calcula a quantidade de carbono que uma pessoa, empresa ou evento gera a na atmosfera, bem como a quantidade de mudas que é preciso plantar para neutralizar esse carbono.

“A grande sacada deste projeto é que temos áreas mapeadas em Cubatão e São Paulo para plantio. E a pessoa clica lá, pode escolher a espécie nativa, nós plantamos, fornecemos a geolocalização, tudo pelo aplicativo, tiramos fotos, colocamos o query code com a data de plantio. Se um dia a pessoa quiser ir conhecer sua muda, ela consegue ir lá e achá-la. Também mandamos um certificado para ela, assinado por uma pessoa qualificada, como eu (risos).”

Ele diz que o mercado em que atua é promissor. “Se não mudarmos o jeito atual de consumo, vamos precisar de uns quatro planetas para dar vazão. Então, para os empreendedores que estão seguindo essa linha, acho que é um mercado muito promissor. Há espaço para todo mundo. É uma questão de sobrevivência (do planeta).”  

Matéria publicada no Jornal Estadão do dia 13/11/2017.

http://economia.estadao.com.br/blogs/sua-oportunidade/sai-do-meio-academico-e-fui-empreender/?  

 

 

About Jornalistica PR

Jornalistica Media Relations is a PR company focused on helping brands and professionals go to market and communicate with the audience that matter most their business and be part of the conversation. All our services are available without a permanent binding contract. We can create a personalized communication package the moment you need it. We are expert in Lifestyle, Arts, Luxury, Healthcare, Social Medias, Reputation Management, Travel & Tourism and Technology. For additional informations, feel free to contact us anytime: contato@jornalistica.com.br