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12 . MAIO . 2015

Como as mulheres estão Revolucionando o Mercado

Existem diversos argumentos para isso, mas o mais convincente agora é o econômico.  A diversidade de gênero ganha força e relevância com a publicação das últimas pesquisas sobre o assunto e o que fica evidente é que as mulheres estão remodelando a economia e impactando o mundo dos negócios. 

O maior indicador disso é a performance financeira de empresas que tem investido na contratação de mulheres bem preparadas para integrar conselhos administrativos e cargos diretivos.

Os dados são claros ao mostrarem que empresas que valorizam mulheres em posições decisivas são mais lucrativas e eficientes. Para um mundo que luta para sair da instabilidade econômica, atrelar o potencial de 50% da população global é uma oportunidade e também uma necessidade.
 
Em um estudo norte-americano, com oito empresas da Fortune 100, a constatação é bastante robusta ao mostrar que o retorno médio sobre o patrimônio líquido em organizações que possuem um quadro diretivo diversificado, foi de 25%. Em comparação, as administradas exclusivamente por homens tiveram um retorno médio de 9%.

Em outra análise ainda, entre as 25 empresas Fortune 500, aquelas com maiores registros por promover o reconhecimento das mulheres, chegam a atingir entre 18% e 69% maior rentabilidade do que demais empresas em seus setores .

Na busca para atingir o mesmo grau de desenvolvimento e sustentabilidade das nações mais ricas, e atrair essa poderosa força de trabalho, a realidade é que muitos países iniciaram um processo de reconhecimento destas desigualdades e encararam a importância de lidar com estas questões, ainda impregnadas de preconceitos culturais em diversas localidades ao redor do mundo.
 
No último relatório do The Global Gender Gap Report, acerca das desigualdades entre homens e mulheres em todo o mundo, o Brasil amarga a 71º posição no ranking. Os países escandinavos, que detém os melhores índices de igualde de gênero atualmente e ostentam uma economia robusta, já foram bastante criticados por suas políticas, no entanto, estão exportando seu modelo para diversas outras nações que enxergaram nos resultados do mercado a importância de iniciativas latentes que promovam a equidade de gênero.
 
Embora ainda existam muitos problemas, muita coisa vem sendo feita para encorajar mais mulheres a se tornarem empreendedoras e melhorar as condições no Brasil. Já existem no país alguns projetos que tem como objetivo trazer as mulheres para o centro dos debates sobre empreendedorismo e áreas de grande importância para o desenvolvimento econômico que envolvem tecnologia e inovação.

A engenheira de software, Camila Achutti, que está à frente do Technovation Challenge - um programa que tem como objetivo estimular mais meninas e mulheres a engajarem-se no universo da tecnologia e aprenderem a programar – elenca um destes exemplos.

“Não podemos deixar que o tempo arrume as coisas, precisamos catalisar esse processo de transformação, porque senão, seremos deixadas à margem dos rumos da sociedade. E aí, pode ser tarde demais. O mercado pede por inovação, que pede por diversidade, que pede por mais mulheres na tecnologia”, destaca.

Um estudo publicado em 2001 pela Harvard Business Review, questionou se “as mulheres são melhores líderes do que os homens?”. O resultado foi positivo. O ponto principal sobre a questão, evidentemente, é acabar com a discriminação para que as pessoas possam ter a justa oportunidade de crescer de acordo com seu potencial, independente do gênero.

Embaixadora brasileira da Fundação das Nações Unidas (ONU) para o Dia Global do Empreendedorismo Feminino no Brasil e idealizadora de projetos voltados com foco em empreendedorismo, Deb Xavier tem ajudado a inspirar mais mulheres a acreditarem que sim, é possível ter tudo o que quiserem:
“Iniciativas que promovem o empreendedorismo feminino, que auxiliam no desenvolvimento da carreira e empoderam, são fundamentais para que a mulher possa ocupar espaços no mercado e liderar. Contudo, é preciso vencer essa resistência que ainda existe no mercado na adoção dessas novas formas produtivas de trabalho, porque, embora as gerações que hoje estão no mercado tenham crescido em meio à evolução da participação feminina nas empresas e na universidade, ainda não estão suficientemente sensíveis a ponto de permitir um ambiente de trabalho saudável e sem desigualdade de gênero”, reforçou.

E quem disse que a diversidade de gênero é problema apenas das mulheres?

Um outro debate recente, disseminado em diversos países, trata da participação dos homens no reconhecimento sobre a importância do empoderamento feminino dentro das organizações e como isso pode ser mais vantajoso, inclusive no que diz respeito aos lucros.

Um dos nomes mais fortes neste movimento global é o da Chefe de Operações do Facebook, Sheryl Sandberg, que esta à frente do programa Lean In, que tem contribuído para estimular a importância do papel feminino na tecnologia e em novas áreas em desenvolvimento.

O empresário e investidor Richard Branson, fundador da Virgin, é uma das personalidades que recentemente manifestaram publicamente apoio ao projeto, destacando a importância de remover barreiras contra a discriminação.
“Isso é uma necessidade para o sucesso dos negócios. Temos que mudar a cultura para garantir que todo mundo valorize a contribuição única de todos os indivíduos, sejam eles quem forem.”

As pesquisas dão um bom sinal. É possível aumentar como uma flecha o desenvolvimento econômico, atrelando isso ao aumento do papel desempenhado pelas mulheres na sociedade. E o caminho evidente passa pela consolidação delas no mercado de trabalho. Por isso: mulheres do mundo, empreendei-vos!

Thaise Saeter

Diretora de Redação